Sunday, 12 May 2013



“Os meus senhores a partir de agora são mancebos! Mancebos! Mancebos, quem tem mais de 100 kilos para a minha esquerda! Quem tem ferros no corpo e quem carta do médico, lá para trás! Mancebos com mais do que 6 dioptrias, para a minha direita!”
 
Isto foi no quartel do Alto da Ajuda há alguns anos atrás. Inspecção militar. Uma manhã interessante e educativa.
Mancebo vem do latim mancipis, o que toma na mão, também designado como o comprador ou aquele que arremata bens num leilão. Passou a indicar o criado caseiro, em particular o de quarto, que ajudava o senhor a vestir-se, segurando as suas roupas nas mãos.
O que explica muita coisa. 

Eu fui passado à reserva territorial. Foi-me dito que um dia, necessitando a pátria de mim, chamar-me-iam. Continuo à espera que o telefone toque.
 
 



NO MEIO DO CAMINHO
 
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

Monday, 6 May 2013

File:Oxford Dodo display.jpg




Atribuido durante a primeira metade do século XVII, o nome da ave, agora extincta, DODO, deriva do Português doudo. Esta é uma das teorias para explicar o nome da ave que antigamente vivia nas ilhas Maurícias. E é a minha preferida.
Imagino que meses de navegação arriscada, ausência de comfortos, de trabalho árduo pudessem ter estimulado o vocabulário dos nossos marinheiros noutros sentidos, talvez menos comedidos ligeiros.
Teria sido interessante se para a história da taxonomia tivesse ficado um nome de ave mais próximo da riqueza do vernáculo português.


ENQUANTO ISSO, NA IRLANDA...


Chegou, finalmente, o calor à Irlanda. O Verão dá sinais de vida e exibe sinais exteriores de riqueza.

Viva a canícula! Viva a sensação de conduzir para o trabalho com a janela aberta! Que maravilha é vestir os meus pólos e as minhas camisolinhas de manga curta, com camisola interior, é certo, mas apenas de manga cava.

Canícula do latim e dimnuitivo de canis, a estrela mais brilhante da constelação de Cão Maior (Canis Majoris), que mais brilha durante o período mais quente do ano, entre finais de Julho e finais de Agosto.

Saturday, 13 April 2013



Talks

Joshua Foer: Feats of memory anyone can do

Filmed Feb 2012 • Posted May 2012 • TED2012
TED2012
00:16
20:29


http://on.ted.com/Foer

Sunday, 30 December 2012

Palestrina, uma outra personagem Romana a não perder.




Sunday, 9 September 2012




Giulio Caccini, também conhecido por Giulio Romano pela sua ligação a Roma.
Um músico e compositor a descobrir.
Nasceu em 1551 e morreu com 67 anos.





Saturday, 8 September 2012

Pequeno artigo extraído do Irish Times de hoje (08-09-2012).

Este rapaz foi meu professor de Art History na University College Cork.
Ainda é possível ser uma homem do renascimento. Uma inspiração.

JP McMahon, chef and restaurateur

 

TRUE CHARACTERS: I describe myself as . . . an obsessive educationalist, with an interest in food, literature and art.

 
I didn’t set out to be a chef . . . I studied art history and English at degree level and I am currently finishing my PhD in American art of the 1960s and 1970s. I still teach occasionally in UCC. But half way through my PhD (I was always chefing) we got the chance to open a restaurant.

I think there are massive parallels between art and cooking . . . I love photography as well. Cooking is very aesthetic, it has a history, there are trends – just like art. I come to food as an academic and I go to academia as a chef. It’s more interesting this way.

My cooking inspiration comes from . . . my own endless search through food. Because I didn’t study food systematically, I’m always finding new and interesting things and techniques with which to develop. I’m also very bookish (I have a library of more than 4,000 books), so I love buying cookbooks.

Ours is a family business . . . My wife manages our three restaurants, I cook and teach. My brother leads the front-of-house team in Aniar and my sister is our graphic designer. My father and my brother part financed Cava so we wouldn’t be there at all if it wasn’t for them.

It gives me a buzz when . . . I’m cooking in the middle of a busy service and things are going smoothly and to plan. I also love taking pictures on my phone to upload (this is the photographer in me). It’s not enough just to cook good food, I want to show it to people, tell them about it and teach them how they can do it. I’m also a pig nose-to-tail fan so I love butchering things whole (breaking them down) and using as much of the animal that I can.

The best advice I’ve ever been given . . . is to follow your own vision with integrity and purpose. It’s not an easy road and it may take 15 years and you may get side-tracked but keep going.

The next big thing in the restaurant business will be . . . smaller food plates and more focused (local/regional) menus. Not exactly tapas but places where you can go to get really good food, high quality, small bites.

My dream dinner party guests would be . . . Samuel Beckett, James Joyce, WG Sebald, and Caravaggio.

And I’d cook . . . a free range pig-on-the-spit, with duck fat chips with a salad of Stephen Gould’s leaves. And my own star anise and smoked paprika ketchup.

Five things I always have in my larder . . . sea salt, butter, olive oil, black pepper, and cream.

My ideal day off is spent . . . reading, writing and spending time with my two young girls, Heather (3) and Martha (6 months). Oh, and my wife Drigín as well.

I’m passionate about . . . food, art, literature and educating people about the interconnectedness of these three areas.

I wish I was better at . . . chess, I love the game but I never get to get to practise.

I often imagine myself as . . . a writer living in New York, eking out a bohemian existence.

Not many people know this about me, but . . . I went to singing college in my late teens, so I can sing a song or two.

My guilty pleasure is . . . ice-cream, I’m a demon for it.


JP McMahon is a father, a chef and a lecturer in art history. He runs Cava Spanish restaurant and tapas bar, Aniar restaurant and Eat gastropub in Massimo in Galway

Friday, 7 September 2012


Piranesi e Roma, Roma e Piranesi...
Nem sempre a Roma de Piranesi é a mais verdadeira, mas é sem dúvida fascinante.

A Piazza Navona de Piranesi
Piranesi

Friday, 31 August 2012

Thursday, 30 August 2012

Wednesday, 29 August 2012




Em Schull, West Cork, há maravilhas como esta.
Chega-se, desce-se em direcção ao cais e aí está.
Vale a pena.

Saturday, 25 August 2012


Esta semana completei 12 anos a viver na Irlanda. Um ápice.
Tudo mudou. Muito.
Ganhei amigos, leituras, bandas sonoras para sempre.
Sou melhor pessoa.

Monday, 20 August 2012

 
Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz do esquecimento.

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado,
Pára e fica, e demora-se um momento.

Pára e fica, na doida correria.
Pára à beira do abismo, e se demora.
E mergulha na noite escura e fria
Um olhar de aço, que essa noite explora.
Mas a espora da dor seu flanco estria,
E ele galga e prossegue sob a espora...


Ângelo de Lima





Saturday, 7 April 2012