Wednesday, 7 March 2012

Rome in literature

“Cowards die many times before their deaths;
The valiant never taste of death but once.
Of all the wanders that I yet have heard,
It seems to me most strange that men should fear,
Seeing that death, a necessary end,
Will come when it will come.”

Julius Caesar, by William Shakespeare

As pontes de Roma e fazer ponte em Portugal

 Roma é também uma cidade de pontes.

Uma delas é a Ponte Fabricio (também conhecida pela Ponte dei Quattro Capi por ter por dois Janus de quatro cabeças) que é a mais antiga ponte de Roma e que, quase inalterada desde 62 a.C., permanece uma firme sobrivente à fúria pretérita do rio Tibre.
Janus era o deus romano dos começos e das transições, das entradas, das portas, das pontes, dos fins e do tempo quer em termos físicos quer em termos metafóricos e simbólicos.

De Janus obtemos, por exemplo, janela e Janeiro (o mês de calendário e mesmo o meu amigo Paulo agora residente em terras francesas e, sem dúvida, descendente de um deus clássico).
Esta ponte liga o antigo gueto judeu à ilha Tiberina onde podemos encontrar a igreja de San Bartolomeu que ocupa o lugar do antigo templo dedicado a Esculápio, deus grego da Medicina.
Do outro lado da ilha temos a travessia para o Trasteve e o bairro bairro tradicional dos judeus em Roma.


Ponte Fabricio, ou Ponte Quattro Capi, Roma

 Uma outra ponte famosa é a Ponte de Sant’ Angelo com as fabulosas esculturas de Bernini (na verdade, são réplicas) representando os símbolos da paixão de Cristo.

Ponte Sant' Angelo, em Roma, com estátuas de Bernini
e Castel Sant'Angelo ou Mausoléu do Imperador Adriano
Ponte Sant' Angelo, Roma

Durante séculos esta seria a principal via seguida por peregrinos vindo de toda a Europa para chegar à basílica de S. Pedro. Em 590, o Papa Gregório I, o Grande, (o tal que dá o nome ao canto Gregoriano) vindo em peregrinação a São Pedro implorando o fim da peste que assolava Roma, ao chegar à ponte terá tido uma visão do arcanjo São Miguel embainhando a sua espada e assim dando sinal do fim da peste. Este episódio dá o nome à ponte e ao Castel Sant’Angelo e antigo mausoléu do imperador Adriano.

A construção de pontes em Roma era um cargo de grande importância presume-se desde a era Etrusca. Era tarefa tecnicamente complicada e de grande responsabilidade. As pontes eram decisivas na expansão e defesa do território, no desenvolvimento económico, no resultado de batalhas e tinham também uma grande variedade de conotações simbólicas.
Este cargo tinha a denominação de pontifex (presume-se que de pons = ponte e fex = raiz de facere, fazer) e foi adoptado por os mais altos sacerdotes e governantes romanos (por exemplo, imperadores de cônsules adoptaram também este título) e passou a ser pontifex maximus. Ainda hoje o Papa tem o título de sumo pontífice e temos a palavra pontificado.

Não se entende, portanto, a recente obsessão de acabar com as pontes em Portugal. É evidente que a prática de fazer ponte junto a um feriado aproximava, em termos simbólicos, muitos Portugueses da Roma clássica e até do Papa Sumo Pontífice. Quanto mais não seja em termos etimológicos... era sinónimo de civilização avançada e erudição clássica.

Tuesday, 6 March 2012



Rome in literature

 "I can't be slow if I try. There's something inside of me that drives me. A restless fiend!"

 “Roderick Hudson” by Henry James

Monday, 5 March 2012

Êxtase de Santa Teresa d'Ávila, Bernini, igreja de
Santa Maria della Vittoria
A famosa Fonte de Trevi
















Roma do Barroco, palavra Portuguesa

Roma é uma cidade com uma presença formidável do período Barroco.

Bernini e Caravaggio são apenas dos exemplos mais conhecidos da exuberância do período barroco em Roma.

Barroco é uma palavra de origem Portuguesa talvez com influência de Broakti, cidade da Índia conhecida por produzir pérolas muito irregulares.

Barroco é um termo usado para caracterizar o período artístico em questão (século XVII até meados do século XVIII) precisamente por oposição ao período renascentista e por ser caracterizado pela extravagância, pela irrgularidade, por um estilo demasiado vistoso e por um certo sentido jocoso, divertido e até provocatório.

Esta designação foi aplicada posteriormente – isto é, Caravaggio, Bernini, Bach e Handel não sabiam que eram barrocos – e para ilustrar o desagrado que muitos sentiam em relação a um período que mostrava alguma falta de gosto ou até de respeito pela herança dos períodos renascentista e maneirista.

A formidável Santa Maria della Vittoria ou a famosa Fonte de Trevi são dois exemplos do período barroco na cidade eterna, mas há uma imensidão de outros igualmente famosos que merecem atenção demorada.

Depois de visitas consecutivas a exemplos da arte medieval ou até renascentista, uma visita um destes exemplos é realmente de ferir a vista e a sensibilidade de quem se havia habituado a cenários muito mais simples e despidos. Uma maravilha!

Para além do termo barroco, Portugal tem uma marca interessante, ainda que discreta, em Roma. Um tema, sem dúvida, a explorar.

Sunday, 4 March 2012



Rome in literature

 “Memórias de Adriano” de Marguerite Yourcenar

 “Almazinha, alma tenra e flutuante, companheira do meu corpo, de que foste hóspede, vais descer àqueles lugares pálidos, duros e nus onde terás que renunciar aos jogos de outrora. Contemplemos juntos, um instante ainda, as praias familiares, os objectos que certamente nunca mais veremos... Procuremos entrar na morte de olhos abertos...”

A propósito deste livro e em caso de visita a Roma, visitar o (inevitável) Castel Sant’Angelo e a Villa Adriana em Tivoli (fora da cidade de Roma).

Thursday, 1 March 2012




Rome in literature

 “Daisy Miller” by Henry James.

Cenas deliciosas e irresistíveis de Roma, nos jardins do Monte Pincio, no Coliseu e no Forum Romano, na Piazza de Spagna, na Piazza del Popolo. Um acepipe de comer e chorar por mais!
“I’m a fearful, frightful flirt! Did you ever hear of a nice girl that was not?”




Águia vitória é ave auspiciosa

Estivesse eu em Roma e subiria ao Capitolino e, onde outrora esteve o tempo de Jupiter Optimus Maximus (presumíveis ruínas podem ser vistas no interior do Museu Capitolino), convocaria os deuses para que se pronunciassem acerca do Benfica vs Porto de amanhã.

Pediria aos sacerdotes responsáveis pela comunicação com os deuses – os augurius ou auspex, nome com origem no grego awi = ave e spek = ver – que, através do vôo das aves, interpretassem a vontade divina acerca do resultado do jogo.

De auspex é claro que obtivemos os auspícios e os augúrios e da actividade temos ainda a expressão “ave de mau agoiro”.
Esta prática era mais antiga do que a própria civilização Romana e sofreu modificações ao longo dos séculos.

Na Roma antiga, esta observação das aves como forma de prognóstico era de extrema importância e concerntrava-se, essencialmente, no vôos da águia, do corvo e da gralha. Por exemplo, terá sido a observação das aves de rapina que, de acordo com Lívio, determinou que Rómulo deveria ser o fundador e primeiro soberanode Roma e não Remo.

O sacerdote romano virando-se para sul concluía que o vôo vindo do Leste (esquerda) seria mau e que de Oeste (direita) seria bom. Em latim esquerda era sinister e a direita era a dexter.

Um vôo vindo da esquerda era, por isso, de mau agoiro e um vôo vindo da direita seria prognóstco de vitória. Daqui temos a conotação negativa que damos a algo sinistro (e, durante séculos, aos canhotos) e a conotação positiva de algo que é direito, às direitas, destro e de grande destreza.

Por exemplo, assumem alguns que à direita de Deus se senta Jesus (esclareço que me refiro a Cristo e não ao semi divino Jorge Jesus). E quem se senta à esquerda de Deus? A prática religiosa parece omissa neste aspecto o que não augura nada de bom.

Importa pois, antes do jogo começar, estar muito atento ao vôo da águia Vitória. Será boa forma de ter um prognóstico para o jogo.
De qualquer forma, em termos mitológicos e simbólicos, a águia é mensageira divina e símbolo imperial enquanto que o dragão (em latim e em grego, significa grande serpente ou monstro marinho) é normalmente símbolo de guarda ou guardião (daí o famoso guarda Abel das Antas) e com maior frequência ainda símbolo do mal e mensageiro do Diabo.

Espero e desejo que, pelo menos desta vez, as forças malignas sejam derrotadas...se possível, com um penálti roubado.