Saturday, 31 March 2012
Friday, 30 March 2012
Wednesday, 28 March 2012
O espaço disponível era exíguo, mas o talento de Romário eliminava essa limitação. Eram actos de ilusionismo e de escapismo.
A minha favorita é a de San Carlino justamente numa das esquinas da Quattro Fontane, no Quirinal.
O nome de San
Carlino é adequado. Como português entendo perfeitamente que os diminuitivos
vão muito para além de qualificar tamanho, mas que também têm um sentido
carinhoso, de preciosidade, de uma complexidade recatada e circunspecta. Beber
umas cervejinhas ou comer uns bifinhos não significa que fiquemos com sede ou
com fome, mas sim que a tarefa e os objectos nos são queridos e que são muito
mais do que parecem ou soam (lá está a nossa mania com os carros quitados e com
as marquises convertidas em extensão de quarto).
A via delle
Quattro Fontane é muito movimentada e a igreja pode passar despercebida, mas
alguém avisado ou um olhar atento descobrirá a fachada côncava e dinâmica da
igreja.
A entrada é apertada e discreta e dá a impressão de que me dirijo a um espaço pouco maior de que uma sala de jantar de dimensão média. A surpresa está no interior.
A igreja – que
afinal pertence a um pequeno complexo monástico com claustro e quejandos –
parece esticar-se para os lados e para cima em direcção a uma cúpula com
padrões intrincados.
A exuberância e
jocosidade do barroco estão presentes ainda que, nas formas e nas cores, de uma
forma menos ostensiva do que outros exemplos do barroco (como por exemplo Santa
Maria della Vittoria, de Bernini, não muito distante de San Carlino).
Borromini, tal como Romário, da escassez criava abundância e, para meu deleite, fabricava a ilusão de que tudo é possível.
Borromini e Romário – meter o Rossio na Rua da
Betesga
Romário foi
treinado por Cruyff na equipa do Barcelona do princípio dos anos 90. O
brasileiro era considerado pelo seu treinador um jogador de trato complicado,
mas um verdadeiro génio da grande área.
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| Romário |
Romário, dizia
Cruyff, de um lenço de assoar faz um latifúndio.
Romário era então
capaz de um espaço muito curto fazer maravilhas. Uma nesga, uma viela, um beco
para muitos seria o suficiente para que o avançado demonstrasse o seu talento.
Fazia-o com elegância, altivez e facilidade. Uma finta de corpo, uma esquiva e
a bola estava na baliza adversária.
O espaço disponível era exíguo, mas o talento de Romário eliminava essa limitação. Eram actos de ilusionismo e de escapismo.
Francesco
Borromini foi um arquitecto que viveu entre 1599 e 1667 e que partilhou com
Bernini e com Pietro da Cortona algum do protagonismo da arquirtectura barroca
em Roma.
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| Francesco Borromini |
Diz-se que tinha
temperamento difícil e que terá desenvolvido uma rivalidade acesa com Bernini.
O nome de
Borromini é essencialmente associado às igrejas de Sant’Agnese in Agone
(obviamente situada na Piazza Navona), com Sant’Ivo alla Sapienza e com San
Carlo alle Quattro Fontane (San Carlino).
A minha favorita é a de San Carlino justamente numa das esquinas da Quattro Fontane, no Quirinal.
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| San Carlo alle Quattro Fontane - Fachada |
A entrada é apertada e discreta e dá a impressão de que me dirijo a um espaço pouco maior de que uma sala de jantar de dimensão média. A surpresa está no interior.
Apesar da
exiguidade do espaço o olhar necessita de tempo para descobrir todos os recantos, altares e formas que dão a
ilusão de movimento, de vários cenários a explorar e de um espaço enorme e
rico.
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| San Carlo alle Quattro Fontane - Cúpula |
Tudo parece
detalhado e desenhado para usar todo o espaço disponível de forma elegante e
bela e sou levado a crer que estou num espaço enorme. O logro resulta.
Borromini, tal como Romário, da escassez criava abundância e, para meu deleite, fabricava a ilusão de que tudo é possível.
Tuesday, 27 March 2012
António Tabucchi morreu há dias.
Um pouco por toda a Europa, a notícia da sua morte acaba por ser indissociável de Portugal, de Lisboa, de Pessoa. Até na morte promove o nosso país. O nosso país que também era dele.
Li vários livros do António Tabucchi, mas será sempre o “Afirma Pereira” na edição da Quetzal que maior marca deixou. Talvez pela idade que eu tinha ou pelo momento da vida que atravessava, mas foi o “Afirma Pereira” que me uniu a António Tabucchi. Até que também eu deixe de viver. Sunday, 25 March 2012
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